Fragrâncias Transgênero Transgênero: Tabu de Dana (1932)

Transgênero: Tabu de Dana (1932)

02/14/16 05:52:12 (5 comentários)

por: Dr. Marlen Elliot Harrison

Mais um artigo na série de resenhas de fragrâncias que interroga, “Como é que uma fragrância transcende o gênero?”

Olá e benvindos a minha nova coluna aqui no Fragrantica: “Transgênero,” uma exploração de aroma, gênero e liberdade olfativa. Ainda que eu defenda que as fragrâncias não têm gênero, os estereotipos socioculturais sobre a masculinidade prevalecem muitas vezes nas perfumarias. Juntem-se a mim à medida que eu exploro algumas das obras-primas da perfumaria do século XX na minha busca para encontrar respostas à seguinte questão, “Pode um homem usar com sucesso um perfume feminino?”

"Faça um perfume que pudesse ser usado por uma prostituta."

Resumo: O protótipo da perfumaria do início do século XX que foi imitado e resenhado por... quase toda a gente, Tabu merece ser usado pelo menos uma vez pelos amantes convictos dos perfumes nem que seja para experienciar o aroma rico e intenso deste controverso oriental de patchouli e benjoim.

Perfumista: Jean Carles

Experimente se gosta de: Aromas terrosos, ambarados, especiados com patchouli; fragrâncias vintage; fragrâncias animálicas; "incenso" como o nag champa; aromas doces/de xarope que fazem lembrar cola ou cerveja-de-raiz.

Me faz lembrar: É melhor escrever que os seguintes perfumes me fazem lembrar Tabu: Lagerfeld KL Homme e até certo ponto Classic (para homem), YSL Opium, EL Youth Dew, Tuvaché Tuvara, CK Obsession, e mais do que qualquer outro, Lush Karma... e uma diversidade de aromas com tema de patchouli onde as notas resinosas como o âmbar ou o benjoim adoçam a onda herbal do patchouli.

Uma resenhadora do Fragrantica disse, e eu concordo: "O comentário do meu namorado foi que lhe faz lembrar uma loja de tabaco com incenso queimando ou shisha, ou uma barraquinha de aromaterapia numa feira. Doce, ligeiramente suado (de uma forma boa e interessante), um pouco esfumaçado, e DEFINITIVAMENTE incensado, pelo menos em mim. Me faz lembrar nag champa."

Prós & Contras: Em termos de nome e marketing, Tabu deve ser uma das mais confusas fragrâncias na história da perfumaria. A lenda diz que o briefing de design dado ao perfumista de Dana foi "um perfume que pudesse ser usado por uma prostituta." Acha que isso é apelativo? Imagine a resposta dos consumidores do pós-Guerra e da era da grande depressão! É claro, esta era a altura em que Jicky, Scandal e My Sin eram os grandes sucessos. Adoraria saber ainda mais sobre o que está por detrás da historia desta fragrância.

Ainda mais interessante é o fato de Tabu ser sido sempre comunicado usando um quadro que referencia o texto mais controverso de Tolstoy, uma estória de amor, infidelidade e crime. Veja a imagem abaixo e oiça a Sonata Kreutzer de Tolstoy (inspirada em Beethoven) e entenderá os frascos em forma de violino. A personagem principal da história encontra sua mulher abraçada a um violinista com quem ela estava tendo um caso e esfaqueia-a até à morte. Delicioso. Daí o nome Tabu, a fragrância de um caso proibido. Veja a imagem dos amantes no canto superior esquerdo do frasco mostrado abaixo.

Mais ainda, Tabu tem sido engarrafado tantas vezes que poderíamos perguntar quão diferente cada uma das versões poderá ser. Muitos resenhadores parecem notar variações de década para década, provavelmente devido às restrições do mercado sobre algumas matérias-primas do perfume original.

Criticado por ser forte, pesado, repugnante, antiquado e mesmo nauseante, Tabu é muitas vezes associado por muitos às gerações de mulheres mais velhas que o usavam como sua assinatura. Contudo, Tabu é também louvado como revolucionário, incomparável, rico, intoxicante e viciante. Felizmente, por um preço minúsculo, os amantes dos perfumes podem experimentá-lo e chegar a suas próprias decisões. Aqueles que nunca o experienciaram pode esperar uma surpresa deliciosa pois podem criar suas próprias ideias acerca do aroma sem quaisquer referências históricas ou pessoais. Amantes de patchouli - este pode ser o vosso cálice sagrado.

Kreutzer Sonata por René François Xavier Prinet

Quanto às suas conotações de gênero, começarei com uma observação de um dos membros do Fragrantica, "Meu deus, este perfume não é para mim. Consigo ver que possa ficar bem em algumas pessoas. Definitivamente não é ao meu gosto. Não gosto de escrever resenhas más, e destruir o perfume favorito de alguém. Mas é concerteza um gosto adquirido. Demasiado amadeirado e especiado e muito masculino. Tem uma qualidade de 'old spice'."

Outro membro escreveu alegremente sobre Tabu, "Felizardo sou eu! Não estou tentando cheirar bonitinho mas adoro usar perfumes de outro gênero. Isto está crescendo em mim. Uma espécie de cheiro sujo décadas depois de seu auge? Parece perfeito para um homem maduro que não tem ligações a sua história. Para mim, é um nome familiar mas é tudo. Para mim é diversão de especiarias. Quando ele atinge sua química natural, animálica elas instantaneamente se reconhecem, e se dão muito bem. (meus problemas acontecem com os perfumes frescos... minha pele os engole e me relembra que estou desperdiçando dinheiro.) Talvez os tempos tenham mudado e Tabu pertença a mim agora? Um homem mais velho, confiante, um pouco obscuro mas também luminoso? Tabu e eu damos nova vida um ao outro. Não queremos estar na moda. Queremos ser selvagens mas controlados."

Não interessa qual a versão que você experimenta, Tabu tem inegavelmente uma boa longevidade e forte silagem.

Notas: DanaBeauty.com atualmente lista as notas como "Bergamota Italiana, Óleo de Limão, Rosa Búlgara, Ylang-Ylang, Absoluto de Jasmim, Patchouli, Musgo de Carvalho, Benjoim, Âmbar, Almíscar." Anteriormente, Cravinho-da-índia/cravo, narciso, musgo de carvalho, sândalo e civeta também estavam incluídos na lista de notas.

Descrição do designer: “'A lendária fragrância exótica oriental de Dana. TABU é a verdadeira essência da sensualidade e da paixão. TABU é salientado com citrinos frescos e enriquecido com óleos essenciais de flores luxuosas e madeiras sensuais." DanaBeauty.com

Número de vezes que testei: 100+ nos últimos 20 anos.

Número de sprays aplicados para esta resenha: 1 spray no meu pulso a partir de um frasco de colônia de 15ml que eu comprei em 2016.

Força da fragrância: Eau de Cologne

Desenvolvimento: (Linear / Médio / Complexo): Tabu abre com proeminentes citrinos, principalmente óleo de limão, e seu coração terroso de patchouli-e-cerveja-de-raiz está imediatamente presente. À medida que as notas de topo assentam, o coração floral cresce mas as flores individuais são impercetíveis. As notas de coração acrescentam profundidade ao caráter herbal de Tabu. O benjoim adoça o affair acrescentando um ligeito toque baunilhado. Apesar de a civeta ter sido famosamente usada, hoje Dana explica que usa uma nota sintetica animálica cruelty-free e que a palavra civeta já não está incluída na descrição da marca. Contudo, há definitivamente um almíscar animálico permanecendo através da secagem.

Longevidade: (Curta / Média / Longa) Apesar de tipicamente só estar disponível em colônia, apenas um spray no meu pulso durou umas boas 8 horas.

Silagem: (Pouca / Média / Muita) Tabu é forte e difusivo por isso pode ser melhor evitá-lo em espaços fechados. E não consigo imaginar usá-lo em qualquer tipo de tempo quente.

Nota sobre a embalagem: Qual embalagem? Exisem tantos frascos diferentes que é difícil comentar.

 

Onde posso comprar? Encontre-o online por apenas $6 USD num frasco de 15ml spray/splash.

Conclusão: Se é um amante do patchouli como eu, éprovável que já tenha experienciado uma série de versões - desde o verde mentolado ao "partes sujas" ao terroso adocicado. Notei que muitas fragrâncias modernas de patchouli tendem a acasalar as ervas verdes com as notas balsâmicas tais como resinas, benjoim e ládano; acordes gourmand como chocolate, baunilha ou bagas; e florais clássicos como rosa e jasmim. Estes pares normalmente temperam o de outro modo aroma sujo ao qual muitas pessoas torcem o nariz. Tabu oferece tanto um como o outro - patchouli resinoso, floral. O interessante é que não se consegue descrever Tabu como floral, nem por um segundo, e é provavel que se testado às cegas, seja difícil classificar o gênero de Tabu. Acha que o patchouli tem um gênero inerente em sua cultura ou associações aromáticas?

Tem sido notado que Tabu emprega uma quantidade astronômica de patchouli, 10% da composição. Isto diz muito em termos da familiaridade da fragrância assim como do desdém que muitos sentem por ele. Quanto a mim, Tabu foi amor ao primeiro cheiro mas levei algum tempo a me convencer a experimentá-lo!

Me ofereceram um pequeno frasco de Tabu num daqueles vidros em forma de violino ni início dos anos 2000. Antes disso eu não gostava de nada que tivesse patchouli mnas tinha começado a mudar minha opinião com Patchouli Patch de Giacobetti e Voleur de Roses de Almairac para L'Artisan Parfumeur, o primeiro com osmanthus, almíscar e sândalo, e o segundo com rosa e ameixa. Ainda para ,mais, eu tinha sido recentemente apresentado à bomba de patchouli da Lush, Karma, e gostei muito da combinação resinosa de citrinos e coníferas. E assim começou uma tendência minha. Após anos de aversão sabendo dos famosos 10%, finalmente experimentei Tabu. Fiquei no chão:

Maravilhoso! Intoxicante! Tabu...

A loja new age que se podia encontrar perto de cada colégio; é verde; é castanho; Já o cheirei em toda a cidade.

Limão no topo, baunilha no fundo: Shalimar misturado com Coca-Cola.

O incenso queimado, o hippy que adora Grateful Dead e vive no apartamento em frente.

E na no ar de uma noite fria de Osaka num sábado, eu usei Tabu para ir a um karaoke onde um amigo de Seattle me abraçou e me disse que eu cheirava como o seu estúdio de yoga. Apesar de eu nunca ter lá estado, eu sabia o que ele queria dizer, e muitos de vocês também saberão.

Tabu provoca ou desafia associações de gênero en vocês? Ambos?

 

 

Dr. Marlen Elliot Harrison

Editor Executivo

O jornalismo do Dr. Marlen Elliot Harrison sobre a indústria de fragrâncias tem aparecido na imprensa internacional e em publicações online tais como PlayboyMen’s JournalMen’s Health New York Times. Marlen também trabalha como coordenador do projecto de escrita para o The Smithsonian’s National Museum of the American Indian e como professor/supervisor de faculdade para os programas de graduação online da Southern New Hampshire University em Escrita e Literatura. Saiba mais sobre Marlen em www.MarlenHarrison.com.

 

 



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thalestv
thalestv

Para minha pessoa perfumes não tem gênero, nem idade e ocasião. Perfumes são para quem os amam e sabem aprecia-los!!
Tenho 24 anos e cresci em meio a perfumes como Rochas, Obsession, Lapidus, Azzaho, Chanel n5, Charisma,Tabu entre outros clássicos iconicos do século XX usados por meus avós e por meus pais. Então cresci perto e amando os perfumes vintage, meu pai usou muitos frascos de Tabu e lembro com clareza em minha infância nos anos 90. Recordo também do tabu que girava em torno do Tabu dele ter sido feito exclusivamente para prostitutas mas meu pai nem ligava, continuava usando e alegava usar pela qualidade e custo benefício que não enchia no orçamento do cidadão comum em épocas de crise que acometeram o Brasil em meados de 92 uma vez que ele amava o Lapidus mas não podia dar mais de 100,00 num perfume de grife, hoje também noto certa semelhança entre as duas fragrâncias o que diverge gritantemente são os preços pois Tabu nunca ultrapassou a faixa dos 10 reais. Adoro perfumes bombásticas, polêmicos e chaios de tabu, são desses que eu gosto e não vou esperar para ter 40, 50, 60 anos para usa-los, nada me difere dos jovens que os usaram em suas épocas de ouro na mocidade. Eu vou usar o que meu olfato pedir, o que meu bolso permirtir. Abraços aos amantes de perfume sem preconceito.

Mar
09
2017
smauricius
smauricius

Isso do género no que toca aos perfumes é tudo marketing! Eu uso perfumes que são "femininos" como também tenho amigas que usam perfumes de "homens"... tudo deveria depender dos gostos de quem usa o perfume. Se gosto, se me fica bem, porque não usar, mesmo que seja considerado "feminino"?

Feb
23
2016
Jernê Knowles
Jernê Knowles

Digo com toda honestidade, não conheço Tabu de Danna pessoalmente... Talvez já possa ter sentido seu aroma por aí, mas não o associado à própria fragrância. Após este brilhante artigo de Marlen, sinto-me incumbido de ir atrás para conhecê-lo, e por que não, tê-lo?!

Feb
15
2016
Appledri
Appledri

Sempre enxerguei TABU como uma fragrância unissex, pois sempre via homens e mulheres usando e se deliciando com ele.
Mas todos esses homens e mulheres que via usando eram mais velhos que eu, e ainda hoje gostam muito desse perfume.
Nunca imaginei que o briefing dele poderia constar algo do tipo, mas a história por trás da fragrância torna-o mais interessante.
Eu particularmente não gosto e nunca gostei, mas quem sabe com o passar dos anos eu serei mais uma usuária de TABU?

Feb
15
2016
deldiamante
deldiamante

Nunca "me atrevi" a usá-lo, mas trabalhei durante 5 anos em uma loja de departamentos e perfumaria e posso garantir que era o perfume mais vendido da loja... Vendíamos diversas caixas no mês e às vezes precisávamos fazer pedidos extras. Minha mãe sempre gostou e até hoje elogia muito o Tabu!!!

Feb
14
2016

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