Matérias primas O Musgo de Carvalho nas Fragrâncias

O Musgo de Carvalho nas Fragrâncias

08/14/13 09:47:53

por: Marina Milojević

 


Musgo de Carvalho, também conhecido como Evernia prunastri, é uma espécie de líquene, um fungo encontrado nas florestas montanhosas temperadas um pouco por todo o hemisfério norte. Como o seu nome sugere, o musgo de carvalho cresce naturalmente nos ramos e troncos de carvalhos, ainda que também possa ser encontrado e outras árvores caducas e coníferas. Este líquen é muito pequeno, achatado e tem umas pequenas folhas que fazem lembrar o formato de chifres de veado. O musgo de carvalho varia na sua coloração, podendo ser verde menta ou quase branco quando seco, verde azeitona ou até amarelado quando molhado.

O musgo de carvalho é um dos materiais mais comummente usados, especialmente nos perfumes do tipo chypre e Fougère. Usado muitas vezes como fixador, ele não só melhora a longevidade da composição como também dá um aroma delicado florestal, rico e terroso à composição fragrante, deixando um rastro suave, natural, molhado e cremoso. Esta matéria é habitualmente cultivada com fins comerciais nas regiões Sul da Europa Central e exportada para Grasse em França, onde a maioria das casas perfumistas estão situadas. Os absolutos e extratos de musgo de carvalho, derivados do líquen, têm um distinto aroma amadeirado, forte e muito sensual que combina muito bem com notas florais e verdes, e representa um grande aditivo para fragrâncias orientais. Uma espécie particular de musgo de carvalho que cresce em pinheiros tem um cheiro ligeiramente diferente, perto da terebintina, o que o torna altamente valorizado entre os perfumistas.

O absoluto de musgo de carvalho pode ser obtido através da extração por solvente ou usando destilação a vácuo. O obtido por extração com solvente é verde escuro ou até castanho e tem um cheiro forte, natural, terroso com um lete tom de couro. O processo de destilação a vácuo dá um material aromático de cor amarelo pálido ou verde com um cheiro de casca de árvore, muito seco e terroso.
 

Desde há muitos anos, o musgo de carvalho é conhecido como um potente alergeno que deve ser usado com extremo cuidado para prevenir reações dermatológicas adversas. Contudo, isto tornou-se muito controverso nos últimos tempos, desde que o IFRA, o organismo que regula as regras de utilização segura de químicos fragrantes e óleos essenciais em perfumes, listou o musgo de carvalho como ingrediente restrito. Os regulamentos do IFRA afirmam que os extratos de musgo de carvalho obtidos da Evernia prunastri não devem ser usados em produtos se a sua quantidade exceder os 0.1%. Mais ainda, se a fórmula já contém extratos de musgo de árvore, os níveis de extratos de musgo de carvalho e de musgo de árvore devem ser reduzidos de forma a que a quantidade total de ambos os extratos não exceda os 0.1%.

Sendo que é quase impossível compor uma fragrância chypre clássica sem um traço de musgo natural, os perfumistas estão sob um desafio muito complicado desde 2001, tentando encontrar um novo extrato que possa ser olfativamente aproximado ao original cheiro do musgo de carvalho, e ainda assim cumprir com as regras do IFRA. Segundo as novas diretrizes, muitas casas perfumistas têm reformulado as suas fórmulas clássicas. Alguns dos muitos exemplos são os da Guerlain - Mitsouko e Parure, ambos com musgo de carvalho como nota de base. No entanto, com a ajuda da ciência moderna, Thierry Wasser, o famoso perfumista da Guerlain, encontrou uma forma de preservaro aroma das versões originais evitando mudar a formulação dramaticamente.


Atualmente a Guerlain usa musgo de carvalho que não tem a molécula específica proibida pelas directrizes do IFRA. Graças à química moderna, este novo material é um extrato 100% puro e natural que cumpre com as regras do IFRA. Alguns outros perfumistas substituiram o musgo de carvalho por notas herbais de patchouli e vetiver, enquanto outros usam uma nota de "madeira com musgo" sintética que reproduz o cheiro das profundezas da floresta.

Ainda podemos sentir o cheiro genuíno de “floresta molhada” nas criações de perfumistas naturais, que continuam usando o absoluto de musgo de carvalho obtido por extração por solvente. O musgo de carvalho encontra-se em muitos perfumes icónicos como Paloma Picasso, a composição floral-amadeirada-verde de Chanel #19, em Miss Dior, uma fragrância chypre-floral feminina, e Apercu de Houbigant. Devo também mencionar o vintage Fougere Royale de Houbigant, com uma nota de topo de lavanda e notas de base de musgo de carvalho e cumarina. Toda a classe de perfumes fougère, consistindo essencialmente de perfumes masculinos, deve o seu nome a esta referência da perfumaria clássica.

 


Autora: Marina Milojević (Mary)
Escritora do Fragrantica, Tradutora e Editora

 

Traduzido e adaptado por Miguel Matos

 

 

 


 

 



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