Coluna Fragrâncias Hipster

Fragrâncias Hipster

01/01/17 12:00:09

por: Eddie Bulliqi

 

Byredo Gypsy Water

Onde está a grande fragrância hipster? Uma questão que estou certo de que todos os leitores do Fragrantica já se perguntaram. Esteve a Byredo perto disso com Gypsy Water? Apesar de, sejamos honestos, serem basicamente as donas de casa que a compram e mal a conseguem cheirar, de qualquer forma.

Rankin S&X

E o que dizer do perfume de Rankin e Azzi Glasser S&X e seu provocante comercial? Muito comercial, literalmente.

CB I Hate Perfume M2 Black March

Última hipótese – certamente M2 Black March de CB I Hate Perfume está perto? Para ser franco, este é muito hipster AF, mas talvez seja difícil de alinhar tematicamente com a tendência.

Armani Code

Ou está o hipster tão hipster que agora é hipster usar de novo Armani Code? Nada diz neo-cool como um fougere old-school pesado em tonka. Onde está o equivalente fragrante do Supreme brick? Pode se dizer que uma fragrância hipster não existe. Mas porquê?

Coffeehouse

Piadas aparte, eu levo este assunto muito a sério, tal como Kyle Chayka no seu artigo no Guardian ‘Sempre a mesma coisa. Como a estética hipster está dominando o mundo (estou apontando para aí, Soho House). Nele, ele eloquentemente descodifica as dicas comuns de design que caracterizam os espaços hipster, desde as coffee shops, aos apartamentos Airbnb, aos espaços de cowork, que ele chama de ‘AirSpace’. Pense em ‘reclaimed wood, lâmpadas Edison e iluiminação industrial recuperada’, instalada para fazer com que os gentrified ‘se sintam como se visitassem algo 'autêntico’ quando viajam, mas [que é feito para eles] que na verdade apenas desejam mais do mesmo: mais interiores rústicos e logos não serifados e splashes de cores cliché nos tapetes e nas paredes’. Em resumo, um desejo de ser o mesmo e diferente ao mesmo tempo através de uma unicidade universal. Oxímoro? Bem também a identidade hipster o é, o adjetivo chave aqui, prefixos aparte. Eles são trouxas. 

Hipster

Antes de procedermos ao nosso ataque, podemos definir o que é hipster? A tarefa é demasiado grande para um homem e sua coluna de perfumes, mas algumas palavras-chave ajudarão: couve, loja de segunda mão, filtro, pós-verdade, porco, interseccional, peugas coloridas, squat, cato, glitter, YOLO, cera para a barba, vinyl, vegan, ouso dizer feminismo, bicicletas, ironia, tudo ‘oriental’, cerveja artesanal, aquela aila da Beyoncé na Harvard Business School.

O elo em comum é o design visual (que é diferente dos movimentos hippie ou gótico) – uma pessoa não se sente hipster, manifesta-se hipster. Num hilariante artigo revelando as coisas mais hipsters que já fizeram, em co-autoria pelo staff da Vice, a equipe propõe que ‘tal como estar demasiado bêbedo ou gostar demasiado do Marxismo, existe uma coisa chamada ser demasiado hipster’. Imagine agora, se quiser, alguém que é ‘demasiado hipster’. O mais provável é que imagine sua aparência e não o seu tempo livre. A cultura hipster foi sempre concebida para um estilo particular de acomodação que produz mais e mais cópias enquanto simultaneamente declara-se individual através de uma presunção de autenticidade. Mas não é a autenticidade de fato inaugurada através de uma aceitação partilhada em vez de por si só? Isto é o hipster revelado. A estética hipster não é uma consequência de uma alargada cultura de lifestyle hipster, mas é uma cultura estética em si, enraizada no estilo e não na ação; nas maneiras de interpretação específicas ao visual – identificação, simbolismo e espetáculo.

 

Crushing Bloom

Apesar de todas as críticas à indústria de fragrâncias, ela não é hipster. Pode haver previsibilidade e estandardização no modelo consumista do velho mundo ainda adotado por algumas das empresas (olá, La Vie Est Belle), mas existe uma grande e excitante diferença, com o nicho genuinamente apresentando uma grande variedade na estrutura olfativa, acento, performance e risco que se confronta com o coração ideológico da hipsterficação: a individualidade formatada. A fragrância é demasiadamente sujeita à subjetividade e é absolutamente terrível em ser objetiva ou comunicar ideias, entidades e objetos concretos. Um medium sem utilidade (para alguns). Não interessa quão empenhado um perfumista seja em deslumbrar sua audiência, as pessoas ainda pensarão que seu cheiro de estábulo ainda cheira a folhas; da mesma forma, cada vez que eu encontro Crushing Bloom, minha cabeça pensa em lírio do vale e rosa, enquanto o meu coração grita pickles podres. Contudo, é aqui precisamente onde está a beleza das fragrancias, e a razão porque elas nunca poderão ser hipster. Williamsburg (e o que isso representa) é de fato um mito para os barbudos; o jasmim de Grasse não é, e substancia um discurso de autenticidade para as fragrâncias que a cultura estética hipster nunca poderá atingir.

Tenho pena de todos os diretores de arte multimedia de Brixton que entraram neste site hoje, de copo de bebida de soja na mão, pensando que este artigo demonstraria a forma de espressão perfumada hipster. Receio que nunca poderão se encontrar no mundo da perfumaria. mantenham-se talvez com as meias com bananas, em vez disso. 

Banana socks

Se você fosse um hipster, gostaria de saber que perfume escolheria para si. Comente abaixo.

 

Eddie Bulliqi

Eddie Bulliqi é um escritor de perfumes que vive em Londres e trabalha em teoria de perfumes e  desenvolve a experiência artística da perfumaria. Ele ensina História de Arte no Courtauld Institute, e é associado do Scent Culture Institute em Zurique e do Institute for Art  and Olfaction em Los Angeles. Em 2016, o trabalho de Eddie foi nomeado para dois Fragrance  Foundation UK Jasmine Awards.

Tradução: Miguel Matos

 





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