Matérias primas Elemi: Um Toque de Limão e Pimenta do Sarcófago e Muito Mais

Elemi: Um Toque de Limão e Pimenta do Sarcófago e Muito Mais

09/21/15 11:23:41 (Um comentário)

por: Elena Vosnaki


Se seus pensamentos aludem apenas ao embalsamamento e aos sarcófagos enterrados em antigos túmulos quando contempla o cheiro incensado do elemi, você poderá estar perto da realidade, mas estará certamente longe dos prazeres deste belo material com as facetas de limão verde e pimenta que ele pode dar às fragrâncias. O elemi foi usado pelas civilizações do Oriente durante séculos para unguentos e pomadas, mas foram os antigos egípcios que o dominaram no complicado processo de embalsamamento (junto com o estoraque, terebentina, benjoim, e outros materiais) para ajudar os corpos a manterem-se secos e frescos através dos séculos.
 

E seu espírito... O saber antigo diz que o elemi é derivado de um antigo deus tribal africano cujo nome pode ser traduzido como "guardião do espírito!" Foi provavelmente o médico do século XVII J.J Wecker que popularizou as propriedades terapêuticas do elemi no ocidente, ao usar o elemi para tratar as feridas dos soldados. Mas seu inebriante aroma ajudou a que ganhasse importância também por razões estéticas.
 

ACERCA DO NOME

Nem sempre a palavra elemi representou o resinoide e óleo essencial a que nos referimos hoje quando falamos de matérias aromáticas para perfumaria. De acordo com a Enciclopédia Britannica foi Plínio o Velho que referenciou um remédio hemostático com o nome "enhaemon," que continha "lágrimas" de uma substância em goma da oliveira da Arábia. Após a Idade Média a resina da árvore Boswellia frereana, uma variande da Somália (Maydi) do genus conhecido como frankincense, foi referida como elemi. Sua inclusão co incenso Copto, o incenso usado pela Igreja Copta Cristã do Egito, ajudou à confusão, sendo o elemi frequentemente participante em composições de incenso. Mais tarde, quando a exploração de novas terras nas Américas estava ainda em desenvolvimento, A resina derivada do genus Icica do Brasil foi chamada de "elemi."

Patricia Davis em seu livro Aromatherapy A-Z [Cambridge. The C.W. Daniel Company Limited. 1998] talvez seja a melhor a falar sobre isto quando defende que a origem do nome é uma frase árabe que significa "acima e abaixo" (em si uma abraviatura de "como acima, assim abaixo") que se refere às conotações espirituais deste ingrediente sagrado.
 

ORIGEM BOTÂNICA

O elemi vem de uma oleoresina, uma matéria moldável colhida da árvore Canarium Commune L. ou Canarium Luzonicum nas Filipinas, onde a espécie cresce tanto selvagem como sendo cultivada. A variedade Manila Canarium ovatum (a noz "pili") é cultivada também por suas propriedades benéficas para a pele cujas marcas europeias, Chanel entre elas, usam em suas linhas de cosmética. O elemi de Manila é um nome comercial para o exsudado suave e fragrante obtido a partir do tronco da árvore da espécie Canarium que inclui "pili."

Filipinas

A goma elemi da Canarium Luzonicum é usada principalmente pela indústria de fragrâncias após a destilação de seus óleos essenciais e apesar de qualquer pessoa poder comprar rolos de "pulot" (o nome local para a resina crua) em embalagens de folhas em Sorsogon, na realidade é em solo europeu, em França, que a goma importada das Filipinas é transformada em essências e resinóides.

MÉTODO DE EXTRAÇÃO


A goma é obtida por exsudação das árvores: quando os troncos das árvores sofrem uma incisão, a resina começa a sair, formando "lágrimas" à medida que o líquido solidifica em contacto com o ar. As lágrimas recolhidas são depois destiladas a vapor para obter o óleo essencial ou são tratadas com solventes voláteis para produzir um resinóide de elemi.
 

PERFIL DE ODOR

Similar ao frankincense e muhuhu, tanto em termos botânicos como de cheiro, o elemi não é tão denso e profundo como as misturas de âmbar nos têm condicionado a esperar que cheirem os aromas resinosos. Pelo contrário, o líquido amarelo claro tem uma consistência fluida e não densa o que nos surpreende com seus aspetos de limão, "limpos", exóticos e frescos. Um fato não muito surpreendente dado que o limonene (a principal molécula do limão) constitui mais de metade dos constituintes fragrantes deste material!

O efeito se assemelha a um pickle de endro, com uma faceta apimentada e de funcho, uma discernível acidez cítrica embora menor do que a que seria de esperar com essa referência. Por estas razões o óleo de elemi combina perfeitamente com notas que partilham esta qualidade fresca em seu buquê, seja em materiais classificados como "aromáticos" (tais como a lavanda, a sálvia e o alecrim) como a categoria dos "resinosos frescos" (tais como o incenso—que também tem uma nota de topo de limão—e a mirra). Tem sido usado desde há muito tempo para prolongar os produtos de limão graças a sua alta resistência ao calor.

O resinóide de elemi tem as facetas especiadas, apimentadas e amadeiradas-erva mais pronunciadas fazendo com que case na perfeição com pimenta, madeiras (patchouli e vetiver especialmente), e ervas doces, ao passo que o seu constituinte elemicina também existe na noz moscada. Elemol é a molécula que dá seu característico "sabor."

O cheiro do elemi pode ser tipificado na linguagem do perfume como "terpénico" (evocando os terpenos da química, especificamente o terpineol e o terpinoleno, daí terebentina), um aroma tipificado pelas frescas agulhas de pinheiro, limpas, verdes com tonalidades cítricas. Por isso não é invulgar vê-lo apresentado no contexto das composições de "pinheiro".

O efeito psicológico do elemi é equilibrante, apaziguador, de bom astral, sereno, mediativo. Devido a sua média volatilidade é normalmente usado como nota intermédia (ou de "coração").

USO DO ELEMI

Usado para acrescentar uma nota fresca a perfumes amadeirados, especiados e suculentos, o resinóide de elemi é um ingrediente tradicional nos sabonetes e em numerosas colônias masculinas, enquanto o óleo essencial de elemi é muito útil para massagens, congestão (limpa o muco), e preparações para a pele caseiras ou industriais, especialmente para pele madura ou enrugada graças à proteína tensina, apesar de dever ser sempre diluído em óleo. É também analgésico, expetorante, tônico e antisético. No Oriente é ainda comum o seu uso no tratamento da malária.

“A baixa volatilidade do óleo de elemi de Manila  e sua alta tenacidade em água fazem dele um componente adequado para ambientadores do ar à base de água e produtos semelhantes,” diz Irma Palanginan, investigadora senior do Department of Science and Technology’s Forest Products Research and Development Institute (DOST-FPRDI).

FRAGRÂNCIAS QUE APRESENTAM NOTAS IMPORTANTES DE ELEMI

Elena Vosnaki

Elena Vosnaki é historiadora e escritora sobre perfume. É da Grécia e escreve para o Fragrantica. É a fundadora e editora do Perfume Shrine, um das mais respeitadas publicações independentes online sobre perfumes que contém resenhas de fragrâncias, entrevistas à indústria, ensaios sobre materias-primas e história do perfume, vencedora do Prémio Fragrantica Blog Awards e finalista em numerosos concursos e prémios de blogues.

A sua escrita foi reconhecida nos Prémios Fifi Awards para Excelência Editorial em 2009 e ela também colabora com publicações em todo o mundo.

Traduzido e editado por Miguel Matos (migueldematos).

 



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MathKortz
MathKortz

Adorei saber mais sobre essa misteriosa resina!

May
27
2016

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