Avaliação de Fragrâncias Avaliação de Fragrâncias: L'Envol de Cartier (2016)

Avaliação de Fragrâncias: L'Envol de Cartier (2016)

08/08/16 05:39:11

por: Dr. Marlen Elliot Harrison

Resumo: A nova fragrância masculina de CartierL'Envol (o Voo), é uma fragrância de patchouli e cerveja transparente (leve) com traços amadeirados como tinta em um maravilhoso frasco de vidro de duas peças.

Perfumista: Mathilde Laurent

 

Prove se você gostar de: Cerveja! Patchouli! Tinta de caneta! Chipres amadeirados ao estilo dos anos 90 que parecem tributos aos anos 60 e 70 (como Magie Noire de Lancôme, Aramis ou mesmo Cabochard!); aromas orientais tradicionais com oud e rosa; silagem leve.

Lembra-me de: L'Envol, ao mesmo tempo em que me parece familiar, não cheira como nenhum outro. De alguma forma ele me remete ao amargor amadeirado de Cartier Declaration, à aura oriental transparente de Etro Io Myself, e principalmente ao patchouli verde do clássico Givenchy Gentleman.

Prós & Contras: L'envol não é de maneira alguma gourmand, frutado, aquático, fresco, floral ou herbáceo. Mais do que tudo, você precisa gostar do aroma de um chope gelado. Você não vai conseguir escapar de sentir o cheiro de bebidas como cerveja ou derivados.

Mas, ainda mais importante, se você não for fã de patchouli, então certamente precisa ficar longe dele. Enquanto algumas fragrâncias apresentam um patchouli adocicado (geralmente com baunilha, âmbar, tonka ou resinas), L’Envol é um patchouli denso e terroso cuja faceta suja é amenizada por madeiras, mel e musk.

Apesar da força potencial da composição Eau de Parfum, a fragrância permanece marcadamente suave. Tão suave que mesmo depois de 4 borrifadas em ambas as mãos eu mal podia senti-la 5 minutos depois. Deixarei para discutir mais sobre isso quando falarei de longevidade e silagem abaixo. Apesar da minha dificuldade de cheirá-lo, L’Envol de fato permanece na pele por um apreciável longo período de tempo, como uma fragrância de segunda pele à base de cerveja e patchouli.

Agora sobre o frasco recarregável (há duas versões, recarregável e não recarregável)! Maravilhoso. Não existe outra palavra para ele. Ah espere, sim… sim, existe. Perigoso. Meu frasco veio diretamente da Cartier, um presente de aniversário dado por um parente. O refil de vidro não tem um encaixe seguro com o vidro externo que o reveste e, quando vou borrifá-lo, o frasco interno salta para fora. A primeira vez que eu o borrifei, estava sentado na minha cama ou certamente teria derrubado a fragrância no piso de azulejo e isso teria sido o fim de L’Envol. As pequenas instruções que vêm com o frasco dizem que o refil deveria se encaixar perfeitamente, e isso acontece. Mas aí se desencaixa. Este será devolvido à boutique da Cartier. Por enquanto, recomendo a compra do frasco não recarregável, ou se possível, certificar-se de que o seu refil funcione.

Notas: Atualmente, as únicas notas listadas em qualquer descrição são mel, patchouli, gaiaco, íris e musks.


Alberto Santos-Dumont, ca. 1901, imagem de RobertNovell.com

Descrição do designer: “Alguns homens podem se vangloriar de realmente ter feito história. Os irmãos Cartier são sem dúvida dois desses homens que literalmente transcenderam a estética do design no início do século vinte. Adicionalmente, Louis Cartier adorava se cercar de homens com essa imagem, como o famoso Alberto Santos-Dumont, um pioneiro da aviação com um desejo sem limites de voar. A mais recente fragrância masculina de Cartier é um tributo a este grande homem e assim é apropriadamente nomeada: L”Envol (o Voo).

L'Envol de Cartier é uma fragrância criada pela perfumista Mathilde Laurent como uma poção mágica. A ideia foi galvanizar o espírito e estimular a alma. Como sugerido pelo nome deste perfume, ele tem como objetivo dar a força suficiente para aqueles que o usam para se sobressair e decolar. É como se os deuses tivessem colocado sua própria mágica num frasco oco de vidro. Adicionalmente, essa filosofia está totalmente em linha com as múltiplas criações da casa Cartier. De fato, a empreas gosta de retratar a imagem de um homem livre, perspicaz e determinado. L’Envol é o cheiro da masculinidade – aventurosa, curiosa, criativa e ambiciosa.

Alfred Cartier (segundo a partir da direita) com seus três filhos, Jacques, Louis, e Pierre em 1910, imagem de The Smithsonian

L’Envol é um líquido de contrastes. O oriental transparente combina um acorde leve e arredondado de ar fresco e nuvens. Seu coração é um sopro doce de mel casado com a masculinidade profunda da madeira de gaiaco. Contudo, a transparência de L’Envol é acentuada pela presença de musks vaporosos. Tudo é ao mesmo tempo volátil e persistente, acentuado por madeiras frescas. Adicionalmente, L’Envol é particularmente elegante e enriquecido com o refinamento polvoroso da íris. O resultado é poderoso e viril sem perder leveza.” Tendance-parfums.com (traduzido do francês)

Número de vezes testado: 3+ vezes ao longo da semana passada a partir de um frasco presenteado por um parente.

Número de borrifadas aplicadas para esta avaliação: 4 borrifadas no dorso nas minhas mãos.

Potência do perfume: Eau de Parfum

L'Envol de Cartier, perfumista Mathilde Laurent

Evolução: (Linear / Média / Complexa): L'Envol de Cartier apresenta muito pouca complexidade ou evolução, mas isso não é necessariamente negativo. L’Envol abre da mesma forma como termina com todos os elementos principais completamente presentes. Principalmente, eu sinto o patchouli e o gaiaco com quase nada de íris e muito pouco mel ou musk típico. Há um leve toque frutado, quase invisível, na saída, mas ele parece desaparece bem rapidamente. A combinação de patchouli e madeiras cria algo como o aroma de uma tinta de caneta, similar àquele do Tiffany for Men original.

Longevidade: (Curta Média / Duradoura) L'Envol é bem incomum já que tem uma presença persistente que de tempos em tempos desaparece para, de repente, chamar a minha atenção novamente mais tarde. Nos primeiros três usos, ele pareceu perceptível por cerca de 4-5 horas.

Silagem: (Pouca / Média / Muita) Para um EDP, eu esperava por uma presença mais forte e posso apostar que uma versão Extrême ou Concentrée já esteja sendo desenvolvida. A silagem é muito pouca e L’Envol veste como um perfume de pele. Tendo dito isso, ele de fato ganhou um elogio quando o apliquei dentro do meu quarto e um parente passou dizendo “Está cheirando gostoso aí!”

Saiba mais sobre a história da Cartier
assistindo o vídeo em baixo:

Nota sobre a embalagem: Um dos conceitos de embalagem mais surpreendentes que eu vejo em um bom tempo. Como mencionado, o frasco tem duas partes: uma cápsula de vidro alongada com um atomizador que porta o líquido; a outra é uma capa externa de vidro que envolve a cápsula. A cereja no topo é um botão prateado cujo padrão guilhoche é herdado dos relógios Cartier. Essa peça torce e se alonga para cobrir o atomizador e prevenir borrifadas acidentais. O frasco é acomodado dentro de uma caixa de papel preto fosco com tons de cobre.

Onde posso comprá-lo? No momento, exclusivamente disponível em boutiques Cartier a partir de 55,50€ para um EDP spray de 50ml não recarregável e 84,00€ para um EDP spray de 100ml recarregável. No momento, um gel de banho de 200ml está disponível por 27,00€ e um desodorante bastão sem álcool de 75ml está disponível por 23,00€.

Conclusão: É verdade que um dia eu já quis uma fragrância que cheirasse como cerveja. E deixe-me contar, não é algo fácil de encontrar. Embora algumas fragrâncias de fato utilizem cevada como nota, é raro encontrar um perfume que genuinamente remeta a uma caneca de chope espumante... até agora.

Vou admitir que muitas das fragrâncias Cartier, sejam masculinas ou femininas, têm me deixado frio. Eu realmente amo o Must feminino e o masculino (naturalmente, o último foi descontinuado enquanto o primeiro foi reformulado com um aroma totalmente irreconhecível em relação ao original) e eu sou fã do Santos Concentrée, mas, fora isso, não posso dizer que seja atraído pelo portfólio da marca. Mas, novamente, sou um grande fã de baunilha e âmbar então os Musts e Santos Concentrée me deixaram facilmente apaixonado.

Quando li pela primeira vez a informação de imprensa para L’Envol pensei, “Ah, finalmente um perfume de cerveja!” Mas aí eu li mais adiante e vi a temida nota de gaiaco e, mais preocupante, patchouli. Gaiaco é uma nota amadeirada que eu tendo a achar amarga. E patchouli, bem, eu amo patchouli, mas principalmente se pareado com notas mais doces ou florais. Por exemplo, eu amo tanto Angel de Mugler como Voleur de Roses de L’Artisan. O patchouli típico verde e terroso que intimida muitos de nós pode tornar às vezes uma fragrância difícil para mim. E aí tem o mel que eu às vezes acho um pouco com cheiro de urina. Então eu não tinha certeza se L’Envol teria aroma de cerveja suficiente para me fascinar ou gaiaco, patchouli e mel demais para me deixar cheirando como alguém que vai a um show bêbado e sem tomar banho.

Bem, estou totalmente rendido a L’Envol. Absolutamente não tem a ver comigo já que é verdadeiramente um chipre amadeirado que estranhamente remete a fragrâncias orientais à base de oud. Quando digo “remete”, quero dizer ecoa fracamente. Juraria que há oud, rosa, açafrão e sândalo aqui, mas isso pode ser o mel e o musk brincando com o meu nariz. Esta não é uma fragrância que tipicamente me atrairia, mas novamente, ela certamente preenche o meu desejo pelo cheiro de cerveja, ou mais corretamente, uma caneca de chope esvaziada.

Minha única real reclamação é, apesar de gostar do que Laurent criou, gostaria que fosse mais potente e levemente mais complexo. Do jeito que está, L’Envol de Cartier é arejado e suave, uma brisa de aroma da mesma forma que o original Terre d’Hermès apresenta terra quente e especiarias mas de uma forma quase transparente. De fato, eu aposto que fãs de perfumes como Kenzo Jungle pour Homme, Déclaration e Terre d’Hermès ficarão satisfeitos com o último lançamento de Cartier. Vou apreciar com prazer L’Envol agora no clima quente (a umidade do verão da Flórida parece realmente ter dado vida a ele) e esperar ansiosamente para ver que tipos de flankers a Cartier nos oferecerá no ano que vem!

 

Dr. Marlen Elliot Harrison

Editor-Chefe e Colunista

Dr. Marlen Elliot Harrison é jornalista no segmento de fragrâncias, suas publicações têm aparecido na imprensa internacional e em publicações on-line, tais como Playboy, Men’s Journal, Men’s Health e no The New York Times. Marlen também trabalha como coordenador de escrita no Museu Nacional de História Natural e como professor/supervisor do corpo docente de Literatura para os programas de pós-graduação on-line da Southern New Hampshire University’s. Saiba um pouco mais sobre Marlen em www.marlenharrison.com.

Tradução: Daniel Barros

 

 

 



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